google-site-verification=0JYI1d-d14OpUVr1E6zaPhdaSX5FEgFGg3ThSj-5cGc
top of page

O QUE COMEMORAR NO DIA DO ÍNDIO?


Tenho descendência indígena, como muitos brasileiros. Minha bisavó era índia que se casou com um português. Porém, o que vemos é que o desrespeito aos povos indígenas impera no Brasil há mais de 500 anos.


Desde o desembarque dos primeiros portugueses, muitas foram as iniciativas de negar aos nativos as condições elementares para exercerem plenamente suas dignidades.

No entanto, os povos indígenas nos ensinam com sabedoria e simplicidade muitas formas de aprender com a natureza e entender a essência da vida e o propósito de conviver num mesmo planeta.

Atualmente muitos índios já estão conectados com toda a tecnologia existente e a utilizam para difundir sua cultura. Pessoas como Kaká Werá, do Instituto Arapoty, que tem um blog muito interessante, Daniel Munduruku, que é professor universitário e escritor, com vários livros (inclusive infantis) publicados, e também Siridiwê Xavante e Yaporâ Katuka têm desenvolvido importantes trabalhos para difundir a cultura indígena de maneira criativa e atualizada.


Os esforços dessas pessoas colaboram para mudar a opinião dos alunos diante de mitos ou fatos que ainda são contados na sociedade e que não condizem com a verdade. Alguns desses pontos problemáticos estão relatados no texto “As 10 mentiras mais contadas sobre os indígenas”, da antropóloga Lilian Brandt, publicado no Portal Forum. Segundo os dados apresentados por Lilian, o censo de 2010 mostrou que mais de 817 mil brasileiros se autodeclararam indígenas, representando 0,47% da população, e eles estão distribuídos em 305 etnias e falam 274 línguas. Os que vivem em áreas urbanas somam 324 mil, ou seja, 36% do total da população indígena, um número que vem crescendo ano após ano.


Como professores, eu acredito que temos uma responsabilidade muito grande quando vamos falar para os nossos alunos de temas como esse. Então, para fugir dos mitos, devemos pensar se realmente reconhecendo e valorizando esta riqueza sociocultural tão representativa que os índios nos trazem e atualizando a abordagem sobre o Dia do Índio para além do que muitos livros apresentam.


Um ponto muito importante a se refletir é se o índio só tem um dia por ano. Realmente não, mas a data serve para chamar a atenção para questões muito importantes para a sociedade. Nessa data a escola não pode restringir a comemoração a caracterizações como fantasias, adornos e exposições de artesanato, cantos e danças. Devem ser promovidas pesquisas com os alunos, baseadas na atualidade das questões indígenas.

Os estudos e as atividades devem levar o aluno a refletir sobre quem são e onde vivem os índios brasileiros de hoje, seus direitos, sua situação territorial, os impactos sociais e ambientais que eles sofrem, suas valiosas contribuições para nossa língua e nossa cultura e os conhecimentos que estão se perdendo na sala de aula e na vida. São muitos conteúdos que podem perpassar várias disciplinas ao longo do ano e não apenas em uma data especial.

Quando ampliamos o nosso olhar como educadores e também o dos alunos para a realidade indígena, estamos buscando o verdadeiro sentido da cidadania e da evolução dos humanos na mesma grande casa Terra que acolhe a todos, indistintamente.


Deixo aqui minha gratidão e minha homenagem a todas as nações indígenas do Brasil e do mundo que, apesar de tantos desafios, com sabedoria, coragem e profunda reverência e respeito pelo planeta têm nos ajudado a restabelecer as conexões com a essência da vida!

Xipat (“tá bom, tá na hora”, em munduruku)

Posts Em Destaque
Posts Recentes
Arquivo
Procurar por tags
Siga
  • Facebook Basic Square
  • Twitter Basic Square
  • Google+ Basic Square
bottom of page